Isso não tem lógica!


Só para começar, o que você faz para diferenciar o que é difuso do que é concreto? Boa pergunta né, então, você pensaria em alguma coisa como: objetivo x subjetivo? Ou quantitativo x qualitativo? Ou até masculino x feminino?

Pense um pouco a respeito.

Pensamento difuso e concreto

Coisas do lado concreto têm um perfil definido de certo e errado, enquanto do lado difuso podem existir muitas respostas, segue uma lista onde Oech separa coisas difusas de concretas:

Difuso: metáfora, sonho, humor, ambigüidade, diversão, aproximado, fantasia, paradoxo, nebuloso, pressentimento e generalização.

Concreto: lógica, razão, precisão, consciência, trabalho, exato, realidade, direto, focalizado, análise, específico e adulto.

Como podemos ver como diz o autor “no rol do concreto é tudo preto no branco, enquanto no difuso temos vários tons de cinza, sem contar os laranjas, púrpuras e os magentas”.  Ou seja, o pensamento concreto é mais direto, tem um foco mais centralizado em algo, e tende a não se espalhar. Enquanto o pensamento difuso é mais espalhado, atingindo um campo maior e tende a se espalhar. O pensamento difuso procura por conexões entre as coisas, enquanto o concreto se encontra nas diferenças. Oech nos da o seguinte exemplo:

“Uma pessoa com o pensamento difuso diria que um gato e uma geladeira têm muito em comum, os dois têm lugar para guardar o peixe, os dois têm rabo e os dois existem em diversas cores. Já o pensador concreto definiria o gato e a geladeira como elementos de diferentes categorias”.

Uma pessoa com o pensamento difuso poderia perguntar “como seriam os móveis se nossos joelhos dobrassem para trás?”. Já o pensador concreto diria: “Que tipo de tecido deveria ser usado para otimizar a taxa de retorno na fabricação dessa nova linha de cadeiras?”

O processo criativo

Segundo Oech existem dois momentos importante no desenvolvimento de novas idéias: a fase germinativa e a fase prática.

Na fase germinativa, geramos e manipulamos as idéias, na fase prática, avaliamos e botas essas idéias em funcionamento.

Quando estivermos procurando por novas idéias devemos separar o processo criativo nessas duas etapas citadas acima, primeiro pensamento e repensamos na idéias, ou nas idéias, depois avaliamos e se possível aplicamos tais idéias.

Isso não tem lógica

A lógica é definida como aquilo que possui uma natureza consistente e não-contraditória. O que acontece é que a nossa vida é feita principalmente de coisas ambíguas, ou seja, coisas inconsistentes e a contradição estão por toda parte. Porém, existem sim algumas coisas que devem ser pensadas e praticadas de forma lógica, mas devemos tomar cuidado para não saturarmos nossos pensamento com a lógica, pois isso limita nosso processo criativo.

Muitas pessoas desacreditam no pensamento difuso e reagem com um “Isso não tem lógica!”, porém ele é essencial para novas boas idéias. Essas pessoas quando se deparam com um problema vão direto ao pensamento concreto “Vamos direto ao ponto!”, dizem. Se você considerar o pensamento difuso antes de adotar o concreto você também chegará ao ponto só que a diferença será a de que você talvez tenha considerado as alternativas.

O grande problema está no nosso sistema educacional que instiga as crianças ao pensamento concreto e excluem o pensamento difuso de suas atividades e capacidades, isso fica muito claro quando as pessoas têm sua inteligência medida através de testes de lógica, como o teste de Q.I por exemplo.

O modelo do computador mental

Oech diz que atualmente as pessoas são tratadas como computadores, isso por quê o computador é um clássico elemento lógico, segundo o autor as pessoas tratam a si mesmas como computadores como no exemplo citado abaixo:

Quantas vezes vocês não ouviram alguém dizer: “Fulano tem um parafuso solto”. E dentre todas a pior de todas foi, “Existe hardware, software, firmware e liveware” – liveware, no caso, corresponde ao elemento humano do sistema.

A mente não é apenas um computador ela também é um arquivo histórico cheio de experiências, um dispositivo que codifica hologramas, um playground onde se pode brincar, um músculo a ser trabalhado, uma oficina onde se constroem pensamentos, um oponente a ser vencido num debate, dentre outras muitas coisas. Todos temos o direito de escolhermos a maneira com que pensamos, se difusamente ou concretamente, isso vai depender do que você acha mais importante.

Use e abuse de metáforas

Precisamos usar e abusar de metáforas, pois elas nos dão várias outras maneiras de pensar sobre os nossos problemas, isso definitivamente nos ajudará a encontrar uma solução. Quando você pensa metaforicamente você esta abrindo sua mente para o pensamento difuso, está criando jeitos diferentes de dizer ou descrever algo que já existe concretamente. Como você descreveria o sentido da vida?

Pense nisso….

Agora leia alguns exemplos do livro:

“A vida é como uma rosquinha doce. Quando está fresca e quentinha é uma delícia. Mas acontece que ela geralmente está dura. O buraco no meio é seu grande mistério: sem ele, não existiria a rosquinha.”

“A vida é como cozinhar. Tudo depende do que você adiciona e de como mistura. Às vezes, você segue a receita; às vezes, cria.”

“A vida é como um quebra-cabeça -  só que não vem com o desenho na caixa para você saber como se monta. Às vezes, não da para saber nem mesmo se as peças estão completas.”

Use e abuse do pensamento difuso, mas não se esqueça do raciocínio lógico para realizar determinadas tarefas. Nunca se esqueça de incluir a fase germinativa no seu processo criativo, somente a fase prática não é muito funcional, o conjunto das duas forma grandes idéias e grandes pensadores.

That`s all!!!

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